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A casa mal assombrada

ANTONY DAVI DA SILVA OLIVEIRA

Certo dia, um homem chamado Sr. Berg disse que queria conversar com sua esposa, Sra. Ana.

– Ah, querido, vou fazer um bom cappuccino gelado e vamos tratar do assunto.

Sr. Berg respondeu:

– Está bem.

Quando começaram a debater um assunto um tanto quanto delicado, decidiram que deveriam alugar uma casa maior, pois aquela já estava pequena para eles e para seu filho, João, de quinze anos.

No dia seguinte, ao ler um jornal, Sr. Berg se assustou com uma proposta muito provocativa e um pouco suspeita. Logo chamou o filho e a esposa para explicar a situação. Quando os dois se sentaram, ele disse:

– Pessoal, vamos nos mudar! – disse com brilho nos olhos.

Então João disse:

– Mas, papai, e a minha escola, meus amigos? Eu não quero sair de lá – falou com tristeza.

Logo em seguida, a Sra. Ana o consolou:

– Calma, filho, não se preocupe, fica perto da sua escola, não é, amor?

– Claro! Você acha que eu iria fazer algo assim com você, meu filho? – disse Sr. Berg com felicidade.

Ainda naquele dia, por volta das vinte e duas horas, foram com suas coisas para a casa nova. Quando chegaram, tinha tudo o que estava descrito no anúncio, até mesmo um mordomo. Mas a Sra. Ana não foi muito com a cara dele. Ele era alto, pálido, quase da cor de cera.

Quando se acomodaram em seus quartos, a mãe, antes de dormir, trancou a porta do quarto de João. Mas ele era um rapaz curioso e a novidade de uma casa tão grande roubava-lhe o sono. Que histórias haviam se passado ali? Quem, antes dele, vivera naqueles cômodos? Movido por essas e outras indagações, decidiu explorar um pouco aquele espaço tão novo para si. De pantufas, pijama e vela na mão, pôs-se caminhar até que viu um sótão. Abriu devagar a porta que rangeu como num filme de terror. Entrou devagar e encontrou muitas coisas antigas.

Num canto acolá cheio de teias de aranha, um retrato de um antepassado de cabeleira. Mais adiante uma cômoda antiga. No alto da parede, um relógio marcava o tempo. Seu tique-taque era o único barulho a se ouvir. Mais adiante, também envolta em muitas teias, uma cadeira de balanço. João avançou. O quarto era grande e sua curiosidade também. Mais à frente, alguns baús. Lá, na parede do fundo, uma pintura de um homem que João julgou ser do século passado. De terno e gravata, cabelos brancos, olhar duro e penetrante. João sentiu a alma gelar.

De repente, a cadeira de balanço arrastou-se sozinha. No que João se virou, a porta bateu com força.

A mãe acordou assustada com o estrondo e chamou seu marido. Os dois foram olhar o que havia acontecido, quando escutaram a voz do garoto gritando:

– Socorroooooooo!

Quando chegaram ao sótão, a porta estava trancada. De repente, a Sra. Ana sentiu um arrepio e percebeu que algo ou alguém estava atrás dela. Quando se virou, era o mordomo, com presas enormes! Ela, automaticamente, o empurrou escada abaixo.

Nesse mesmo momento, o Sr. Berg conseguiu abrir a porta. Seu filho, já chorando de desespero, o abraçou com força. A Sra. Ana os avisou que o mordomo era um vampiro e que precisavam fugir. O mordomo, que se recuperava, percebeu que eles estavam fugindo e tentou impedi-los, mas Sr. Berg pegou um jarro e o arremessou contra ele, que caiu duro no chão.

Percebendo a situação, Sr. Berg gritou:

– Corram, enquanto ainda dá tempo!

Eles saíram depressa, tão traumatizados que não voltaram nem para pegar seus pertences.

E assim se encerra este conto que, no fim, meus camaradas e minhas camaradas, permaneceu um mistério. Até mandarem a polícia investigar, mas não encontraram nada. Nem um vestígio de que alguém, ou alguma coisa, esteve lá.

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