Como já dizia Edmund Burke1 “um povo que não conhece sua História, está fadado a repeti-la”. Em pleno 2026 existem pessoas que idolatram um ser que aceita a ditadura militar. Pessoas que não têm um mínimo conhecimento sobre sua própria história, o que seus familiares passaram nesse tempo! Não sou a favor de Lula, muito menos de Bolsonaro. Sou a favor de igualdade social. Aqueles que viveram na ditadura sabem muito bem como foi.

Cantores como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Belchior, entre outros, fizeram músicas criticando e denunciando a ditadura militar, muitas vezes usando metáforas para escapar da censura. Bolsonaro disse em entrevistas e discursos que o regime militar trouxe “ordem e progresso”, e chegou a chamar esse tempo de “glorioso” ou positivo sob certos aspectos. Ele afirmou que o Brasil “ainda não sabe o que é uma ditadura” e que o período não foi ditatorial. É fácil falar em “ordem e progresso” quando não foi a sua voz que foi calada, quando não foi o seu filho que desapareceu, quando não foi a sua liberdade que virou crime.

Ditadura militar não é só tanque na rua. Ditadura é tirar a sua voz. É transformar opinião em crime.

Ditadura não é só tanque na rua. Ditadura é tirar sua voz. É transformar opinião em crime. É governar pelo medo. Ditadura não é só um nome nos livros de História. E romantizar isso é perigoso. Porque quando a gente chama opressão de glória, abrimos a porta para que ela volte. Respeitar essa história é o mínimo. Negá-la é ofender quem sofreu para que a gente pudesse, hoje, ter voz.

Memória não é exagero. É responsabilidade histórica. Você acha mesmo que um governo que fecha o Congresso Nacional, proíbe eleições diretas, censura músicas, controla jornais e tortura opositores pode ser chamado de outra coisa que não seja ditadura? Se famílias perderam parentes que nunca mais voltaram para casa? Se o medo fazia parte da rotina? Quando romantizamos o autoritarismo, corremos o risco de repetir os mesmos erros!

Saiba mais: o que foi a ditadura militar

A Ditadura Militar no Brasil (1964-1985) foi um regime autoritário iniciado por um golpe em 31 de março de 1964, que derrubou o presidente João Goulart. Caracterizou-se pela suspensão de direitos civis, censura, bipartidarismo (ARENA e MDB) e forte repressão aos opositores. O regime durou 21 anos, marcado pelos Atos Institucionais (AI), com o AI-5 sendo o ponto de maior repressão. A redemocratização ocorreu de forma gradual a partir da Lei da Anistia (1979) e da campanha “Diretas Já”, terminando com a posse de um civil em 1985. A imagem retrata o confronto ocorrido em 21 de junho de 1968, no Rio de Janeiro, um episódio conhecido como “Sexta-feira Sangrenta”. Na cena, soldados do Exército Brasileiro perseguem manifestantes estudantis em frente ao edifício do Jornal do Brasil. O conflito resultou em dezenas de feridos, mais de mil prisões e um número incerto de mortos, variando entre três e 28 segundo diferentes fontes.


  1. Edmund Burke foi um filósofo, teórico político e orador irlandês, membro do parlamento londrino pelo Partido Whig. Sua participação na política interna inglesa foi igualmente relevante. Defendeu a restrição dos poderes monárquicos e introduziu novos conceitos constitucionais referentes aos partidos e seus respectivos membros. ↩︎

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