Quem primeiro me falou sobre O Conto da Aia foi uma prima, Natasha. Saímos juntos com relativa frequência e nesse dia, não somente eu ela, mas outras pessoas falávamos sobre teledramaturgia. Caímos do assunto séries. Na verdade, nunca assisti a uma série. Não me agrada. Prefiro ler. Tentei “The Big Bang Theory”, mas não fui muito longe.

Os comentários de Natasha deixaram-me curioso e fui conferir. Não passei dos primeiros cinco minutos do primeiro capítulo, na série. É que ali, na frente da tela, tenho uma bastante palpável sensação de inutilidade sobre mim mesmo, sobre meu tempo. Parece-me que estou em desperdício. Já nos primeiros minutos do roteiro, começo a olhar o relógio e penso que poderia fazer algo mais proveitoso para mim. Curioso, entretanto, é que não sinto isso com filmes, especialmente com filmes antigos. Acho, honestamente, que este mistério perdurará por algum tempo, porque também não posso deixar de reconhecer a qualidade de muitas das séries que estão hoje a nossa disposição.

O tempo correu e comecei a ler o livro, que, aliás, é de 1985. Devo confessar que talvez a data tenha me chamado à atenção. Inicialmente, devo dizer que a Margaret é uma escritora de excelência. Detalhista, ela consegue conduzir a atenção do leitor de forma a ater-se nos detalhes do que ela observa. O texto é envolvente. Apresenta-se em primeira pessoa e eu diria que é uma mescla de narrativa e desabafo. O leitor tem contato com o pensamentos mais íntimos da personagem principal. Apesar de, inicialmente, não haver nenhum relato mais forte, a energia do livro é muito tensa. O livro é tenso. Talvez, por isso, não tenha sido, para mim, uma leitura mais fluida. Tive dificuldades em avançar na narrativa. Os capítulos são curtos e mesmo assim, meus avanços eram pequenos. Nunca cheguei a ler dois capítulos seguidos porque me cansava muito.

Eu, importante dizer, sou o tipo do leitor que mergulha na narrativa e procuro ler com os sentimentos. É mais cansativo, mas é muito mais sabororo e muito mais trabalhoso também. Mas vale a pena, asseguro…

A obra traz ao leitor uma realidade distópica. Uma sociedade pós-moderna, baseada no Antigo Testamento em que os indivíduos são completamente monitorados e controlados e as mulheres são classificadas em classes. As aias são mulheres férteis. O passado da personagem-narradora vai surgindo aos poucos e só já com uma bem adiantada leitura se pode saber porque ela foi parar naquele lugar. Leitores menos atentos podem desaperceber detalhes que são só sugeridos no decorrer do texto.

Não recomendo o livro para quem tenha ou esteja passando por algum tipo de intranquilidade psíquica ou emocional. Ademais, escritores brasileiros, opinião pessoal, conseguem nos entregar conteúdos melhores com mais qualidade narrativa.

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